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Março, o mês de conscientização da endometriose

Dra. Dorodina Correia, em entrevista, esclarece sobre o assunto.

26/03/2018

Março não é só o mês em que se comemora o Dia Mundial da Mulher, é também o da conscientização sobre a endometriose. O mês está ao fim, mas o alcance destas informações precisa continuar. Por isso, convidamos a Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, pós-graduada em Infertilidade e Reprodução Humana  e Diretora Técnica da Clínica Humana, Dra. Dorodina Correia, para esclarecer sobre o tema.

 

 

 

 

Revista Personnalité – O que é Endometriose?

Dra. Dorodina Correia – A endometriose é uma doença inflamatória que atinge 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva. Pode surgir na adolescência, com as primeiras menstruações, até a menopausa, quando a mulher para de menstruar. Não é somente uma menstruação dolorosa, é uma doença onde o tecido endometrial (camada fina da cavidade uterina) se desenvolve fora do útero, atingindo o peritônio pélvico, ovários, intestino, bexiga e pode alcançar outros órgãos tais como os pulmões.

 

R.P – Quais são os sintomas da endometriose?

Dra. Dorodina – As mulheres portadoras de endometriose frequentemente queixam-se de dor extremamente forte, cólicas menstruais intensas, com piora progressiva, dor durante ou depois do sexo, dor pélvica fora do período menstrual, alterações intestinais (obstipação ou diarreia) e desconforto urinário na época da menstruação. Outros sintomas associados são sangramento menstrual anormal e cansaço.

 

R.P – A endometriose é diagnosticada com facilidade?

Dra. Dorodina – A endometriose não é diagnosticada com facilidade e muitas mulheres visitam mais de 5 ginecologistas até que sua doença seja descoberta, com uma média de 6 a 8 anos para o diagnóstico.

Para sabermos se tem endometriose, inicialmente temos que ouvir as queixas das pacientes, fazer exame físico cuidadoso e a depender do caso realizar exames complementares, como a Videolaparoscopia, Ultrassonografia Transvaginal com preparo intestinal ou Ressonância Nuclear Magnética.

 

R.P – O que é endometriose profunda?

Dra. Dorodina – A endometriose profunda é a forma mais agressiva da doença. Ela ocorre quando os implantes de endométrio possuem mais de 0.5 cm de espessura, envolvendo profundamente a parede dos órgãos acometidos. Pode acometer ligamentos uterinos, atrás do colo do útero, intestino, bexiga, ureteres e reto. É o tipo que mais causa alterações na qualidade de vida das mulheres e compromete a fertilidade.

 

 R.P –  A endometriose é sinônimo de infertilidade? E como tratar?

 Dra. Dorodina – Sofrer com endometriose não significa que as chances são nulas para engravidar naturalmente, porém 25 a 50% das mulheres com endometriose tem infertilidade, ou seja não conseguem engravidar com um ano de tentativas.

A boa notícia é que podemos ajudar as mulheres que desejam ter filhos, utilizando as técnicas de Reprodução Assistida como a Inseminação intra-uterina ou FIV (Fertilização In Vitro), com boas taxas de sucesso.

Caso a mulher portadora de endometriose queira postergar a gestação para uma idade mais avançada, sugiro uma boa avaliação da reserva ovariana, por meio de dosagens hormonais e contagem de folículos e ainda o congelamento de óvulos.

 

 R.P –  A endometriose tem cura?

Dra. Dorodina – A endometriose não tem cura definitiva, mas pode ser controlada, principalmente se diagnosticada mais cedo. Não podemos prever quem evoluirá para o estágio mais avançado da doença, daí a importância do diagnóstico e seguimento nos tratamentos.

O tratamento da endometriose visa o bloqueio da menstruação com hormônios e melhora das dores. Em casos mais graves pode ser realizado a retirada cirúrgica dos implantes do tecido endometrial que se encontra fora do útero, em outros órgão.

 

 

 

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